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Dra. Janaína Drumond
CRM-MG 69719 · RQE 50592
Mão e Punho

Fratura de Escafoide

Alto risco de não-consolidação. Raio-X pode ser falso-negativo.


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Sobre esta condição

A fratura do escafoide é a fratura mais comum dos ossos do carpo (os pequenos ossos do punho). Ocorre tipicamente após queda com a mão estendida — muito frequente em jovens praticantes de esportes como skate, bicicleta e futebol.

O grande problema dessa fratura é que ela é frequentemente subestimada — confundida com "torção de punho" — e seu diagnóstico tardio pode levar a complicações graves.

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Por que o escafoide é especial?

O escafoide tem uma particularidade anatômica crítica: sua irrigação sanguínea é precária. O sangue entra pelo polo distal (ponta) e flui de forma retrógrada para o polo proximal (base). Isso significa que fraturas na parte proximal têm alto risco de interromper o fluxo sanguíneo, levando à necrose avascular — morte do osso por falta de irrigação.

  • O risco de necrose avascular é de 13-40% nas fraturas proximais.
  • Em fraturas do 1/5 proximal, pode chegar a 100%.
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O problema do raio-X falso-negativo

Em até 25% dos casos, a radiografia inicial NÃO mostra a fratura, mesmo ela estando presente. A linha de fratura pode ser tão sutil que só se torna visível 2-3 semanas depois, quando ocorre reabsorção óssea no foco.

Por isso, quando há suspeita clínica (dor na tabaqueira anatômica após queda), mesmo com raio-X normal, imobilizo o punho e solicito novos exames em 10-14 dias ou solicito tomografia/ressonância para confirmação precoce.

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Sintomas

  • Dor no lado do polegar do punho (tabaqueira anatômica).
  • Inchaço discreto.
  • Dor ao apertar ou girar objetos.
  • Perda de força de preensão.
  • Dor à pressão sobre o tubérculo do escafoide.
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Diagnóstico

  • Radiografia (4 incidências): pode ser falso-negativa inicialmente.
  • Tomografia computadorizada: melhor para visualizar traço de fratura e desvio.
  • Ressonância magnética: padrão-ouro para diagnóstico precoce e avaliação da vascularização (viabilidade óssea).
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Tratamento

Fraturas sem desvio

  • Imobilização com gesso ou órtese incluindo o polegar por 8-12 semanas.
  • Controle radiográfico seriado para confirmar consolidação.
  • Fraturas do polo distal consolidam mais rápido (6-8 semanas). Fraturas proximais podem levar 12 semanas ou mais.

Fraturas com desvio ou instáveis

  • Cirurgia: fixação com parafuso de compressão (Herbert). Permite consolidação mais rápida e retorno funcional mais precoce.

Pseudoartrose (não consolidação)

A complicação mais temida. Ocorre quando a fratura não consolida, formando uma "falsa articulação". O tratamento é cirúrgico obrigatório, mesmo em pacientes assintomáticos — pois evolui inevitavelmente para artrose do punho. O procedimento envolve enxerto ósseo e fixação com parafuso. Nos casos com necrose avascular, pode ser necessário enxerto ósseo vascularizado (microcirurgia).

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Quando procurar ortopedista?

  • Dor no punho após queda, especialmente no lado do polegar.
  • Dor que persiste por mais de 2-3 dias após "torção".
  • Dor ao apertar objetos ou girar o punho.

Não subestime a dor no punho após queda. O diagnóstico precoce da fratura de escafoide é fundamental para evitar complicações graves como pseudoartrose e artrose.

Dra. Janaína Drumond — Ortopedista e Traumatologista | Formação em Cirurgia da Mão e Punho — HSFA (Hospital São Francisco de Assis) | CRM-MG 69719 | RQE 50592

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Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico presencial. Cada caso é individual — consulte seu médico.
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